4 horas dessa madrugada.
Se por anos o que me fazia escrever esse horário eram minhas concepções políticas e sociais, hoje, ironicamente são questões afetivas que me fazem perder o sono à noite. Nesses escritos políticos amadureci muita coisa, possivelmente os ensaios sobre afetividades façam com que amadureça esse outro lado.
Lado que tranquei durante muito tempo, por simplesmente achar irrelevante e uma distração desnecessária. Hoje pago o preço por muito tarde ter me permitido apaixonar. Não tem problema, a vida é feita de sonhos esmagados, pois todas as grandes pessoas dessa humanidade já caminharam sobre o pó de suas antigas ilusões.
Amar é viver, pelo menos até agora, uma distopia. Ensinado a amar de uma maneira reta, monogâmica, sem espaços para flexibilidades, a racionalidade afetiva se faz necessária para entender que relacionamentos não são assim "tão preto no branco", e que o colorido por vezes criado não é de nosso agrado, e nem sempre deve ser, afinal nem sempre queremos a chuva para ver um arco-íris.
Distópico é amar. Esmaga toda essa ilusão. Dizem que amor é bom quando amar a quem tu amas seja algo fácil de fazer, viver e sentir. Não tá fácil, mas seguramos forte, afinal a esperança é algo muito bonito de se ter.
Amar é distópico. Anti-utópico pois nem sempre você é o amor recíproco, ou a única reciprocidade. Distópico, pois mesmo que te sintas fortemente agredido a primeira coisas que pensas é em perdoar. E já sabes, que vais perdoando enquanto der. E no "enquanto der" digo enquanto houverem ilusões a se tornar pó.
Mas aprendi algo muito bonito com minha vó: perdoai e tenha compaixão. Perdoar o faço constantemente, principalmente por ter essa compaixão estranha de me colocar em seu lugar, apesar de nunca querer fazer com ninguém o que se faz comigo.
Provavelmente, no final, essa distopia do amor atual destrua tudo aquilo que eu imaginava sobre amar ao outro, e construa novas formas de entender o que é amar. Talvez seja impossível amar a apenas uma pessoa no sentido de paixão entre enamorados, ou talvez seja canalhice mesmo.
Só sei que meu amor apaixonado continua, e aos poucos vou construindo um outro tipo de amor daqueles que usarei e darei não somente a pessoa especial que então amando estou, mas a todas as outras que de alguma forma entram em minha vida.
Parece que amor tem mais a ver com compaixão do que com fidelidade e exclusividade, mas ainda não entendi como lidar bem com isso. Ou se, por estar apaixonado, estou confundindo e permitindo que alguns princípios meus se afrouxem para tornar a ter a meu lado a paixão que imagino me fazer bem.
Distopia é amar, porque além de fazer bem, também faz muito mal.
No final, nas histórias futuras e no desenrolar da carroça poderei responder a pergunta:
Se amar é mesmo uma coisa distópica, ou se minha afeição por ser trouxa fez eu entender tudo errado sobre o que é amar.
Feliz 60 dias. rs
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