domingo, 9 de outubro de 2016

PRECISAMOS FALAR SOBRE O AMOR


      Parece ser um consenso para toda a humanidade quando se fala em relacionamentos interpessoais a necessidade de se ter, sentir e dar amor. É como se vivêssemos uma vida incompleta se não amarmos, e para estarmos completamente vívidos precisamos de tempos em tempos amar. Não vou mentir, minha vida sempre foi muito mais fácil quando eu não sabia o que era o amor.

      Sim, hoje eu amo, e amo muito. Em muitos momentos sinto a reciprocidade, e ela é muito boa. O tempo compartilhado juntos, as preocupações e o companheirismo são partes positivas de um relacionamento amoroso. Entretanto por mais gostoso que me possa ser amar alguém mais, esse sentimento parece agregar pouco a minha vida. Como se fosse algo para ser sentido, e apenas isso.

     Sou dessas pessoas que acreditam que todos quando recebemos a vida orgânica a devemos utilizar pensando nos antepassados que nos conquistaram muitas coisas, e pensando em conquistar coisas para o futuro para que a humanidade possa sobreviver. Este me é o sentido da vida humana, um sentido que pode ser animalesco por se pautar na reprodução da espécie, mas é acima de tudo fundamental, afinal não haveria amor humano se não houvesse vida humana.

         Portanto, viver uma vida em que se quer sentir e apenas sentir sem construir me parece algo constantemente inócuo, sem sentido, sem relevância. Se é para amar, que se ame construindo e que sejam com pessoas que queiram construir também. Mas nesse mundo de como a humanidade tem vivido suas paixões, seus amores, seus relacionamentos, cada vez mais percebo o quanto possivelmente em um futuro próximo não me encaixarei nisso.

     Quando digo que precisamos falar sobre amor, falo sobre o fato de que precisamos respeitar as pessoas que não querem amar. Há de ser imperativo ao ser humano vivenciar o amor? Uma experiência que certamente deverá perpassar para adquirir conhecimentos interpessoais relevantes, entretanto essa constante de amar e amar não me parece deter de relevância, pessoal minha evidentemente.

       Se me dizem que viveram uma vida bem vivida porque amaram e foram amados penso comigo mesmo “que bom”, mas sei que para a humanidade pouco contribuiu. Possivelmente essas pessoas que muito amaram podem ter contribuído para estabilidades emocionais e psicológicas, não sei.


       No fundo, o que estou querendo dizer é que quando permiti amar cometi erros. E que em determinada parte do meu ser existe uma pressão para que eu renuncie ao amor. E francamente, minha vida continuaria fazendo total sentido, para mim.